27.4.09

Cineclube Natal - 154ª sessão: As Rosas Selvagens


A angústia da adolescência na Assembléia Legislativa


Nesta quinta feira, dia 30 de abril de 2009, o Cineclube Natal em parceria com a Assembléia Legislativa tem o prazer de apresentar o filme francês As Rosas Selvagens (Les Roseaux Sauvages, França, 1994), do diretor André Techiné. na sessão Cine Assembléia. A exibição gratuita começa às 18:00 horas, com direito a pipoca. A censura é de 16 anos.



As Rosas Selvagens é um marcante registro dos anos sessenta. Em Villeneuve, sudoeste da França, durante a guerra da independência da Argélia, um grupo de amigos vai ingressando, cada qual à sua maneira, no mundo dos adultos, enfrentando dúvidas sobre a adolescência, a sexualidade e a política. Henri, um jovem argelino, é enviado à cidade para completar seus estudos e acaba trazendo aos colegas a dura realidade da guerra. François e Serge são desafiados pela agressividade de Henri, enquanto a bela Maïté se sente atraída por ele. O filme apresenta um olhar honesto sobre a angústia e a incerteza da auto-descoberta nessa fase da vida, bem como os temores da entrada na universidade.

As lembranças de André Techiné acerca de seu último ano na escola com certeza conferiram ao seu filme um tom semi-biográfico, que parece mais honesto, emotivo e profundo do que a grande maioria das películas que tratram sobre o mesmo tema. Entretanto, a nostalgia de Techiné não macula este drama com tons amenos e românticos. Essencialmente um estudo de personagens envolvidos num quadrilátero amoroso, "As Rosas Selvagens" analisa a adolescência do ponto de vista daqueles que se consideram "marginalizados", mostrando que, enquanto o contexto político e social pode afetar o desenvolvimento de uma pessoa, outros fatores - como amizade e amor - geralmente são os determinantes.

Quem é adolescente - ou já foi um - reconhecerá os temas abordados no belo filme de Techiné, tais como, a descoberta e as dúvidas referentes ao sexo, o primeiro amor, as pressões sociais e da famíla para "passar no vestibular", e, em última instância, o medo do futuro. Ver o filme é uma experiência única, especialmente para se constatar que, não importa o lugar, a época, as diferenças culturais ou a conjectura pollíca, as dores da entrada na vida adulta são as mesmas, sendo que esta constatação nos oferece um pouco de conforto.

O cineasta André Téchiné nasceu em 13 de março de 1943 em Valence D'Agen. Foi crítico de cinema da famosa revista Cahiers du Cinema. Seu primeiro filme "Pauline s'en Va", realizado em 1969, foi lançado somente em 1975. Techiné destaca-se por seu estilo autoral, que recebe muitos elogios da crítica francesa, reunindo em seus trabalhos atores e atrizes consagrados do cinema da França, trabalhando com nomes consagrados como Catherine Deneuve, dentre outros. Todos estão convidados para asssistir este terno e pungente filme.

Assista aqui ao trailer (em francês) de As Rosas Selvagens:



Sessão Cine Assembléia
Quinta-feira, 30 de abril
18 horas
Assembléia Legislativa
Praça 7 de Setembro, s/n, Cidade Alta
Fone: 3232-5761
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 16 anos


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[FICHA TÉCNICA: "AS ROSAS SELVAGENS"]
Título original: Les Roseaux Sauvages
País: França
Ano: 1993
Duração: 115 minutos
Cor: colorido
Idioma: francês
Gênero: drama
Estúdio: Ima Films, Les Films Alain Sarde, Canal+, IMA Productions, La Sept-Arte, Société Française de Production (SFP), Centre National de la Cinématographie (CNC)
Roteiro: Olivier Massart, Gilles Taurand, André Téchiné
Direção: André Téchiné
Produção: Georges Benayoun, Chantal Poupaud, Paul Rozenberg, Alain Sarde
Fotografia: Jeanne Lapoirie
Desenho de Produção: Pierre Soula
Figurino: Elisabeth Tavernier
Edição: Martine Giordano
Elenco: Élodie Bouchez, Gaël Morel, Stéphane Rideau, Frédéric Gorny, Michèle Moretti, Jacques Nolot

Principais premiações: César de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Atriz Mais Promissora, Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro da Associação de Críticos de Los Angeles, do Círculo de Críticos de Nova Iorque e da Sociedade Nacional de Críticos dos Estados Unidos; Indicado ainda aos César de Melhor Atriz Coadjuvante e Ator Mais Promissor (Frédéric Gorny, Gaël Morel,Stéphane Rideau)


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20.4.09

Cineclube Natal - 153ª sessão: Short Cuts - Cenas da Vida


Short Cuts - Cenas da Vida ilumina as telas do TCP


Neste domingo, dia 26 de abril, o Cineclube Natal volta às telas do TCP, apresentando, às 17:00 horas, o filme Short - Cuts, Cenas da Vida (Short Cuts, 1993), do diretor americano Robert Altman na sessão Cine Vanguarda. A entrada custa R$ 2,00 (dois reais) e a classificação etária é de 16 anos.



O filme monta um painel da cidade de Los Angeles a partir do atropelamento de uma criança, filha de um apresentador de TV (Bruce Davison), por uma garçonete (Lilly Tomlim). Casais que não se entendem, pais e filhos que não se comunicam e amantes que não conseguem se integrar fazem parte da narrativa costurada a partir de sete contos do escritor Raymond Carver. Short Cuts não tem protagonistas, nem coadjuvantes. São 22 pessoas que vivem em Los Angeles em bairros de classe média, e levam vidas normais.

Dentre eles, além dos citados, há o pai do apresentador de TV (o grande Jack Lemmon) que aparece de surpresa, após anos sem dar notícia. Tem o padeiro (Lyle Lovett) que passa trotes telefônicos e um policial (Tim Robbins) que, por sua vez, trai a esposa (Madeleine Stowe), que posa nua para uma amiga (Julianne Moore). Talvez a personagem mais interessante de todas seja a atendente de telessexo (Jennifer Jason Leigh), que atende aos telefonemas com voz lasciva e diz obscenidades despreocupadamente, sob os olhares enciumados do marido com quem não faz sexo (Chris Penn), enquanto troca a fralda de um dos filhos do casal.


Short Cuts foi muito elogiado na época do lançamento, sobretudo pelo roteiro arrojado do próprio Altman. O cineasta deu um jeito de interligar os personagens dos contos de Carver, compondo um mosaico riquíssimo de indivíduos que levam suas vidas de forma banal e melancólica. Nos filmes do diretor - e sobretudo em Short Cuts - , os personagens começam principais, viram secundários, tornam-se novamente principais, e assim por diante. A narrativa é fragmentada, sim, mas extraordinariamente coesa tematicamente. Entre os conflitos retratados, preponderam as insatisfações com a vida profissional, arrependimentos e outros dramas pessoais, sendo que cada história parece tomar um rumo próprio, mas nunca perdendo a conexão emocional com as demais.

Robert Altman filma a vida como ela é: monótona, solitária, cheia de encontros e desencontros definidos pela sorte, sobre os quais não temos nenhum controle. E, apesar dos problemas dos personagens - e, por que não, os nossos - serem de caráter pessoal, não deixam de estar relacionados com as mazelas da sociedade moderna, especialmente o conformismo.


Altman, emulando no cinema a obra de Raymond Carver, usa uma abordagem de extremo minimalismo e recusa a utilização de artifícios dramáticos, como um final redentor que pudesse dar um significado maior ao acaso da vida. Ele evita encerrar a obra da forma tradicional, com algum acontecimento extraordinário. Muitos cineastas talentosos, posteriores a Altman, tentaram imitá-lo (Paul Thomas Anderson conseguiu um bom resultado em "Magnólia"), mas nenhum chegou tão perto de exprimir a sensação de se viver em uma cidade grande como Robert Altman. Trata-se de um belíssimo filme, com roteiro maravilhoso, um dos raríssimos trabalhos que tem o ritmo da vida como ela é.

Infelizmente, a obra-prima de Altman ainda não foi lançada em DVD no Brasil. Existe uma inacreditável versão em DVD nos EUA, da Criterion, completíssima, que inclui uma cópia do livro original de Raymond Carver, um longo documentário de bastidores, uma conversa entre Altman e Tim Robbins, outro documentário sobre a vida de Carver, além de entrevista em áudio com o autor do livro e alguns extras enfocando partes específicas do desenvolvimento do projeto. Na ausência de um lançamento nacional adequado, esta é uma exclente oportunidade para o público natalense conferir essa grande obra daquele que foi, indubitavelmente, um dos grandes diretores americanos de nosso tempo.

Assista aqui ao trailer (em inglês) de Short Cuts - Cenas da Vida:


Sessão Cine Vanguarda
Domingo, 26 de abril
17 horas
TCP - Teatro de Cultura Popular "Chico Daniel"
Rua Jundiaí, 641, Tirol
Fone: 3232-5307
R$ 2,00
Classificação indicativa: 16 anos


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[FICHA TÉCNICA: "SHORT CUTS - CENAS DA VIDA"]
Título original: Short Cuts
País: Estados Unidos
Ano: 1993
Duração: 187 minutos
Cor: colorido
Idioma: inglês
Gênero: drama / comédia
Estúdio: Avenue Pictures Productions, Fine Line Features, Spelling Entertainment
Roteiro: Raymond Carver (contos), Robert Altman, Frank Barhydt
Direção: Robert Altman
Produção: Cary Brokaw, Scott Bushnell, Mike E. Kaplan, David Levy
Fotografia:
Música: Mark Isham
Direção de Arte: Jerry Fleming
Desenho de Produção: Stephen Altman
Figurino: John Hay
Edição: Suzy Elmiger, Geraldine Peroni
Elenco: Jack Lemmon, Julianne Moore, Tim Robbins, Madeleine Stowe, Robert Downey Jr., Lily Tomlin, Frances McDormand, Jennifer Jason Leigh, Chris Penn, Andie MacDowell, Bruce Davison, Zane Cassidy, Mathew Modine, Anne Archer, Lili Taylor, Tom Waits

Principais premiações: Leão de Ouro (Melhor Diretor, empatado com "A Liberdade é Azul") e Melhor Elenco no Festival de Veneza, Globo de Ouro Especial de Melhor Elenco, Independent Spirit de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro; Indicado ainda ao Oscar de Melhor Diretor, ao Globo de Ouro de Melhor Roteiro, ao Independent Spirit de Melhor Atriz Coadjuvante (Julianne Moore) e ao César de Melhor Filme Estrangeiro.


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Cineclube Natal - 152ª sessão: Os Visitantes


Uma visita ao ano de 1993
- Os Visitantes será o primeiro filme da sessão Cinéphilie, novo projeto do Cineclube Natal, em parceria com a Aliança Francesa -

Nesta quarta-feira, dia 22 de abril, o Cineclube Natal, dando continuidade à sua nova sessão fixa, o recém-inaugurado projeto "Cinéphillie", está de volta à Aliança Francesa e apresentará o filme Os Visitantes (Les Visiteurs, 1993, do diretor Jean-Marie Poiré), às 18:30 horas. A entrada é franca e a censura, livre.


Os Visitantes
consiste num dos melhores exemplares da comédia francesa dos anos noventa, sendo um dos maiores fenômenos de bilheteria da França - com mais de 10 milhões de espectadores só neste país. Uma comédia hilariante estrelada pelos astros Jean Reno ("O Código Da Vinci") e Christian Clavier ("Astérix & Obelix").

No ano de 1123, o conde de Montmirail, Godefroy de Paincourt, acidentalmente mata o pai de sua noiva e pede a um mago que o leve de volta no tempo para reverter a situação. A magia, porém, sai ao contrário, sendo que Papincourt e seu fiel escudeiro Jacquoille acabam parando na França de 1993. Numa sucessão de acontecimentos hilários, eles são conduzidos até a descendente direta de Godefroy, Béatrice. Esta reconhece nele os traços de seu antepassado, cujo retrato adornava uma das paredes do castelo que ela teve de vender, devido a alguns problemas financeiros, a um novo-rico covarde e esnobe, Jacquart, descendente e, portanto, extremamente parecido com Jacquoille. A confusão está armada nesta comédia de humor tipicamente francês.


Interessante notar que este filme só atinge todo potencial cômico em seu idioma de origem, o francês, ficando a dever em dublagens para outras línguas. Os trocadilhos são hilários, sendo que nenhuma tradução - por mais bem feita que seja - consegue substituir a criatividade dos diálogos originais em francês. A sessão Cinéphilie exibirá em áudio original, visando o aprimoramento do idioma para os alunos da Aliança Francesa, um dos objetivos do projeto. Logicamente, haverá legendas em português, para atender o público externo, outra meta de qualquer sessão do Cineclube Natal. Portanto, uma boa pedida para os conhecedores e amantes do francês, mas também para os apreciadores de uma comédia histórica com toques de "non-sense", nos moldes de "O incrível Exército de Brancaleone" e "Monty Python e o Cálice Sagrado".

Assista aqui a algumas cenas (em francês) de Os Visitantes:


Sessão Cinéphilie

Quarta, 22 de abril
18:30 horas
Aliança Francesa
R. Potengi, 459, Petrópolis
Fone: 3222-1558
Entrada gratuita
Classificação indicativa: livre


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[FICHA TÉCNICA: "OS VISITANTES"]
Título original: Les Visiteurs
País: França
Ano: 1993
Duração: 107 minutos
Cor: colorido
Idioma: francês
Gênero: comédia / fantasia
Estúdio: Alpilles Productions, Amigo Productions, Canal+, France 3 Cinéma, Gaumont International
Roteiro: Christian Clavier, Jean-Marie Poiré
Direção: Jean-Marie Poiré
Produção: Alain Terzian
Fotografia: Jean-Yves Le Mener
Música: Eric Levi
Direção de Arte: Bertrand Seitz
Desenho de Produção: Huhues Tissandier
Figurino: Catherine Leterrier
Edição: Catherine Kelber
Elenco: Jean Reno, Christian Clavier, Valérie Lemercier, Christian Bujeau

Principais premiações: César de Melhor Atriz Coadjuvante; Indicado aos César de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator (Jean Reno e Christian Clavier), Melhor Edição, Melhor Música e Melhor Figurino.



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1.4.09

Cineclube Natal - 151ª sessão: Da Vida das Marionetes


Ingmar Bergman nas telas do Nalva Melo Café Salão


"Instintivamente as pessoas têm sempre medo das emoções. Na minha geração, no meu meio, educar não era formar um ser humano, mas criar uma pequena marionete, destinada a existir e a andar numa sociedade autoritária. Para que um menino não se comporte como uma menina é preciso ser duro com ele e assim, muito cedo, aprendemos a interpretar nossos papéis. Por isso, seriamente, creio que é, que seria maravilhoso ensinar o ABC das emoções. Com esse ABC eu tento trabalhar e atingir o D do abecedário, mas nós somos todos analfabetos nesse campo" Ingmar Bergman, sobre "Da Vida das Marionetes"

Nesta sexta-feira, dia 03 de abril, o Cineclube Natal, em parceria com o Nalva Melo Salão Café, tem a honra de apresentar dentro do projeto Cine Café o filme Da Vida das Marionetes (Aus dem Leben der Marionetten, Suécia/Alemanha, 1980), uma das obras mais complexas e radicais do mestre Ingmar Bergman. A sessão começa às 20:00 horas e a entrada custa R$ 2,00 (dois reais).

A história do filme versa sobre Peter Egerman, um executivo bem sucedido que vive um casamento conturbado com Katarina. Dias depois de ter um sonho no qual mata a esposa, Peter sai com uma prostituta e mata-a. Qual seria a explicação dessa tragédia? Em Da Vida das Marionetes, Bergman explora, com intensidade e ousadia, a mente de um homem levado ao extremo a partir do relacionamento desse casal problemático.

Os eventos do filme são desnudados de forma extremamente violenta pela câmera do diretor. A narrativa nos relata os momentos anteriores e posteriores do incidente. Gradativamente, as vidas do assassino e de sua esposa vão se desintegrando em meio às neuroses daquele e a lascívia latente desta. Tudo nos é contado de forma desconexa, onde a história vai e volta no passado. Somos jogados no meio da relação do casal, percebendo o quanto a sua aparente "vida livre" nos revela uma esposa sexualmente repressiva e um marido tão carente quanto neurótico.

Ingmar Bergman
, mais uma vez, desconstrói os relacionamentos humanos através da vida de um casal em crise. Pode não parecer, mas eles estão tão distantes um do outro quanto um outro casal famoso do cinema de Bergman: Marianne e Johan de "Cenas de um Casamento".

O filme Da Vida das Marionetes surgiu durante a mais dura fase da vida de Ingmar Bergman. Na época, o cineasta sueco foi acusado de sonegar impostos no seu país natal, tendo que fugir para evitar a cadeia. Sendo assim, Bergman se estabeleceu em Munique, na Alemanha, onde passou a dirigir um teatro. Para lidar com a ansiedade, tomava remédios contra a depressão e insônia. Um péssimo momento para um ser humano comum trabalhar, mas não para Bergman. Durante a carreira prolífica, ele se tornara especialista no ato de sintetizar fantasmas pessoais em poderosas reflexões sobre os dramas da condição humana (vide "Fanny & Alexander"). Desta forma, como fazem todos os grandes artistas, transformou o próprio sofrimento em um impressionante e perturbador pesadelo sobre sexo, morte e máscaras sociais.

Por diversas razões, Da Vida das Marionetes jamais recebeu a merecida atenção da crítica especializada. Para começar, a própria condição de exilado limitava a participação de Bergman em festivais de lançamento. O filme também reprisava temas (o medo da morte, a dor inerente à alma humana, as prisões sociais) e situações dramáticas (um casal em crise) muito comuns à obra do diretor sueco, algo que para muita gente rebaixava a obra. Foi produzido com baixíssimo orçamento, sendo lançado sem badalação. Adotava o formato "quadrado" de imagem (1.33:1), como o de um aparelho de televisão tradicional (já que havia sido feito para a TV alemã), o que reduzia as chances de ser exibido em circuito amplo de cinemas. Por fim, o próprio cineasta já acalentava a idéia de aposentadoria, o que lhe levava a ser visto por cinéfilos de todo o mundo como um diretor ultrapassado, um dinossauro que não tinha mais nada de novo a dizer - ironicamente, Bergman ainda dirigiria muitos filmes depois deste.

Definitivamente, Da Vida das Marionetes, por todos os motivos expostos, não está na linha dos filmes mais conhecidos da filmografia do brilhante cineasta, mas da sua vasta e densa produção cinematográfica é sem dúvida um dos mais psicanalíticos, e por isso mesmo um dos mais humanos. Mais uma boa oportunidade para o público natalense conhecer melhor o cinema de Bergman e, de quebra, degustar um bom café.

Assista aqui a algumas cenas (em alemão com legendas em espanhol) de Da Vida das Marionetes:


Sessão Cine Café

Sexta, 03 de abril
20 horas
Nalva Melo Café Salão
Av. Duque de Caxias, 110, Ribeira
Fone: 3212-1655
R$ 2.00
Classificação indicativa: 18 anos


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[FICHA TÉCNICA: "DA VIDA DAS MARIONETES"]
Título original: Aus dem Leben der Marionetten
País: Alemanha Ocidental / Suécia
Ano: 1980
Duração: 104 minutos
Cor: preto e branco / colorido
Idioma: alemão
Gênero: drama
Estúdio: Austrian Broadcasting Corporation (ORF), Incorporated Television Company (ITC), Personafilm, Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF)
Roteiro: Ingmar Bergman
Direção: Ingmar Bergman
Produção: Ingmar Bergman, Richard Brick, Lew Grade, Helmut Rasp, Martin Starger, Horst Wendlandt
Fotografia: Sven Nykvist
Música: Rolf A. Wilhelm
Direção de Arte: Hebert Strabel
Desenho de Produção: Rolf Zehetbauer
Figurino: Charlotte Flemming
Edição: Petra von Oelffen
Elenco: Robert Atzorn, Heinz Bennent, Martin Benratch, Toni Berger, Christine Buchegger, Gaby Dohm, Erwin Faber, Lola Müthel, Ruth Olafs, Karl-Heinz Pelser, Rita Russek, Walter Schmidinger

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