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8.12.09

Cineclube Natal - 182ª sessão: As Aventuras de Azur e Asmar


Presente de Natal na última sessão do ano do Cinephilie

Neste sábado, dia 12 de dezembro de 2009, o Cineclube Natal em parceria com a Aliança Francesa preparou uma surpresa especial para o público infantil: a exibição do longa animado As Aventuras de Azur e Asmar, do consagrado animador francês Michel Ocelot. A sessão tem início às 10:00 horas e a entrada é franca. A classificação indicativa é livre.


Michel Ocelot (de "Kiriku e a Feiticeira" e "Príncipes e Princesas"), realizou indubitavelmente uma das melhores animações européias dos últimos tempos, especialmente no que tange à aplicação da computação gráfica. A trama do filme, muito bem desenvolvida na tela, tem toques de O Príncipe do Egito (sem os os vícios cinematográficos deste) e da obra literária O Príncipe e o Mendigo - mas, na verdade, não é o roteiro do filme o seu ingrediente mais importante. As Aventuras de Azur e Asmar é um poema visual (pode-se dizer até que seria um poema sensorial), no qual Ocelot emprega os sons, as imagens, o ritmo e todos os itens que fizeram do cinema o espetáculo que é para um verdadeiro show de beleza, magia e cores.

Quem assistiu ao belíssimo "As Bicicletas de Belleville" teve a oportunidade de perceber o quanto a animação francesa tem evoluído. Agora, Ocelot, especialista no gênero, (e)leva essa evolução a níveis ainda maiores, demonstrando um amadurecimento nítido em sua arte: dispondo-se a empregar todas as técnicas que tem em mãos para a elaboração de seu filme e sua condição de espetáculo, o cineasta revela um admirável domínio para atingir o fim a que se propõe e demonstra, a cada fotograma, o quanto sabe empregar as técnicas da animação seduzir e encantar o espectador.

As Aventuras de Azur e Asmar é um filme curto, mas em seus 99 minutos tudo é tão bem desenvolvido na tela que o espectador não consegue sequer desviar seu olhar durante a projeção, vez que é um espetáculo de beleza e magia, uma experiência sensorial que transcende o imaginário e os limites físicos que roteiro e fotografia possam impor. Se não se dispusesse, também, a contar uma estória - algo coadjuvante na excelência do filme, mas que existe e que acontece de forma muito bem conduzida - o filme poderia, também, ser comparado a "Fantasia" e "Fantasia 2000", dos Estúdios Disney.

A narrativa do filme - de duas crianças, uma rica e outra pobre, uma negra e outra branca, que cresceram juntas convivendo como irmãos - existe, é muito bem narrada, mas As Aventuras de Azur e Asmar foi criado por Ocelot para algo muito maior que contar bem a sua adorável estória de tolerância racial e social: o objetivo maior do filme é libertar-se de amarras, cativar o público e oferecer a este momentos de puro deleite.

Finalizando, um destaque interessante nos créditos do filme: quem dubla a meiga Jenane, mãe de uma das crianças e babá da outra, é a atriz israelense Hiam Abbass, de Jesus - A História do Nascimento, Munich e Paradise Now.

Assista aqui ao trailer (em inglês) de As Aventuras de Azur e Asmar:


Sessão Cinéphilie ESPECIAL: cinema infantil

Sábado, 12 de dezembro
10 horas
Aliança Francesa
R. Potengi, 459, Petrópolis
Fone: 3222-1558
Entrada gratuita
Classificação indicativa: livre


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[FICHA TÉCNICA: "AS AVENTURAS DE AZUR E ASMAR"]
Título original: Azur et Asmar
País: França, Bélgica, Espanha, Itália
Ano: 2006
Duração: 99 minutos
Cor: colorido
Idioma: árabe, francês
Gênero: animação, aventura, família, fantasia
Estúdio: Nord-Ouest Productions, Eurimages, Intuition Films, Lucky Red, Studio O
Roteiro: Michel Ocelot
Direção: Michel Ocelot
Produção: Patrick Juarez, Ian McIntyre, Christophe Rossignon, David Shead, Stéphane Sorlat, Viviana Turchi
Música: Gabriel Yared
Direção de Arte: Daniel Cacouault
Cenário: Anne Lise Lourdelet
Elenco: Cyril Mourali, Karim M'Riba, Hiam Abbass, Patrick Timsit, Fatma Ben Khell, Rayan Mahjoub, Abdelsselem Ben Amar, Thissa d'Avila Bensalah, Olivier Claverie

Principais premiaçõe: Prêmio do Júri Popular Infantil no Festival de Munique; Indicado a Melhor Animação no Goya; Indicado a Melhor Canção no César.


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18.11.09

Cineclube Natal - 178ª sessão: Home - Nosso Planeta, Nossa Casa


Alerta ecológico no Cinephilie


Continuando as comemorações do ano da França no Brasil, nesta quarta-feira, dia 18 de novembro de 2009, às 17 horas, o Cineclube Natal, em parceria com a Aliança Francesa exibirá com exclusividade o importante documentário Home - Nosso Planeta, Nossa Casa (Home, 2009), do diretor francês Yann Arthus-Bertrand. A sessão é livre e a entrada gratuita.


Com uma combinação de imagens impressionantes da Terra vista do céu (gravadas por câmeras de alta definição), som e pungente narração sobre os danos ambientais causados pela humanidade ao planeta, o documentário Home - Nosso Planeta, Nossa Casa é um projeto ambicioso do cineasta, aqui produtor, Luc Besson e do diretor Yann Arthus-Bertrand que tem como objetivo despertar a atenção para a devastação ambiental e chamar todos a uma ação global. Em Home é possível fazer uma viagem histórica, desde a formação do planeta, passando pela invenção da agricultura, até cair na descoberta do petróleo, das máquinas, o que dá ao homem mais poder para conseguir garantir a sua sobrevivência, mas também maior poder de destruição da natureza. O paradoxo é que, mesmo com todo este poder - um litro de petróleo gera tanta energia quanto um ser humano em 24 horas - há 1 bilhão de pessoas com fome no planeta. Mas o filme não se concentra no pessimismo, ao contrário, sua mensagem é que ainda temos tempo de conter os danos e buscar uma sustentabilidade compatível com a preservação dos recursos naturais ainda restantes.

Para alcançar o maior número possível de pessoas, Bertrand e Besson decidiram lançar o filme gratuitamente, em 87 países com dublagens em 14 línguas, tudo isso no Dia Mundial do Meio Ambiente, cinco de junho. O diretor, que ficou mundialmente conhecido pelas fotos aéreas que fez de diversas partes do planeta, explica que o filme revela a atual situação da Terra, enquanto afirma que a solução existe. E, do espaço, é realmente fácil ver as feridas do mundo.

A narração, segundo Bertrand, foi inspirada no trabalho de Lester Brown, o famoso ambientalista americano e pelo seu livro "O Estado do Mundo" (State of the World). Além disso, o diretor contou com a colaboração de amigos como Isabelle Delannoy, colaboradora de longa data, e o músico francês Armand Amar, especializado em músicas do mundo e vozes. Uma experiência imperdível, tanto pelo alerta ecológico quanto pelas incomparáveis imagens.

Abaixo, alguns dados mostrados no filme:
20% da população mundial consome 80% dos recursos do planeta
GEO4, UNEP (Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente) 2007


O mundo gasta doze vezes mais em armas do que em ajuda de desenvolvimento de países

SIPRI Yearbook, 2008 (Instituto Internacional de Pesquisa em Paz de Estocolmo)
OECD, 2008 (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)


5.000 pessoas morrem todos dias por beber água poluída. Um bilhão de seres humanos não têm acesso à água de beber salutar

UNDP, 2006 (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas)


1 bilhão de pessoas passam fome

FAO, 2008 (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação)


Mais de 50% do grão comercializado ao redor do mundo é usado para ração animal ou biocombustíveis.
Worldwatch Institute, 2007 FAO, 2008

40% da terra cultivável é degradada
UNEP (Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente),
ISRIC World Soil Information


A cada ano, 13 milhões de hectares de florestas desaparecem
FAO, 2005

Assista aqui ao trailer de Home - Nosso Planeta, Nossa Casa:


Sessão Cinéphilie
Quarta-feira, 18 de novembro
17 horas
Aliança Francesa
R. Potengi, 459, Petrópolis
Fone: 3222-1558
Entrada gratuita
Classificação indicativa: livre


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[FICHA TÉCNICA: "HOME - NOSSO PLANETA, NOSSA CASA"]
Título original: Home
País: França
Ano: 2009
Duração: 120 minutos
Cor: colorido
Idioma: francês
Gênero: documentário
Estúdio: Elzévir Films, Europa Corp., France 2
Roteiro: Isabelle Delannoy, Yann Arthus-Bertrand, Denis Carot, Yen Le Van, Tewfik Fares
Direção: Yann Arthus-Bertrand
Produção: Luc Besson, Denis Carot
Fotografia: Michel Benjamin, Dominique Gentil
Música: Armand Amar
Edição: Yen Le Van



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21.10.09

Cineclube Natal - 175ª sessão: O Gosto dos Outros


O Gosto dos Outros substitui os Silêncios do Palácio no Cinéphilie
- por razões técnicas o filme tunisiano não será exibido -

Dando continuidade à parceria com a Aliança Francesa com a sessão Cinéphilie, dedicada a produções de língua francesa ou que tenham relação com o país, será exibido no próximo dia 22 de outubro o filme O Gosto dos Outros (Le Goût Des Autres, 2000), primeiro longa da diretora francesa Agnès Jaoui. A sessão é gratuita e tem início às 17 horas. A classificação indicativa é de 14 anos.

Por razões técnicas não será possível exibir o filme Os Silêncios do Palácio, que deverá ser programado em outra ocasião, no Cinéphilie. A Aliança Francesa e o Cineclube Natal pedem desculpas ao seu público.


Esta é uma deliciosa comédia sobre relacionamentos, examinando de forma divertida o amor entre pessoas culturalmente diferentes. No filme, o personagem Castella é empresário, rico, mas pouco refinado. enquanto que Bruno é seu motorista e toca flauta; Franck é seu guarda-costas - mas também negocia com iranianos; e Clara é a sofisticada atriz e professora de inglês, que fascina Castella com seu jeito boêmio. Mas ela não gosta dele, pois o acha pouco culto. Franck começa a namorar a garçonete Manie, descolada e depreocupada, e Bruno também está no meio. Este singelo mas divertido filme indaga importante questão: o que é o amor?

O Gosto dos Outros é uma comédia divertida com pitadas de romance e atores de maior prestígio do cinema francês atual. Estreando na direção, a atriz e roteirista Agnès Jaoui levou mais de 4 milhões de franceses aos cinemas, uma das maiores bilheterias no ano de 2000. Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2000 e a nove Césars, tendo ganhado quatro, incluindo Melhor Filme e Roteiro.

Assista aqui ao trailer de O Gosto dos Outros:


Sessão Cinéphilie
Quarta-feira, 22 de outubro
17 horas
Aliança Francesa
R. Potengi, 459, Petrópolis
Fone: 3222-1558
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 14 anos


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[FICHA TÉCNICA: "O GOSTO DOS OUTROS"]
Título original: Le Goût dês Autres
País: França
Ano: 2000
Duração: 112 minutos
Cor: colorido
Idioma: francês
Gênero: comédia, drama, romance
Estúdio: Canal +, France 2 Cinéma, Les Films A4
Roteiro: Agnès Jaoui, Jean-Pierre Bacri
Direção: Agnès Jaoui
Produção: Christian Bérard, Charles Gassot, Jacques Hinstin
Fotografia: Laurent Dailland
Música: Jean-Charles Jarrel
Cenário: Marie Cheminal
Figurino: Jackie Budin
Edição: Hervé de Luze
Desenho de Produção: François Emmanuelli
Elenco: Anne Alvaro, Jean-Pierre Bacri, Alain Chabat, Agnès Jaoui, Gérard Lanvin, Christiane Millet, Wladimir Yordanoff, Anne Le Ny, Brigitte Catillon, Xavier De Guillebon, Raphaël Dufour, Bob Zaremba, Sam Karmann, Marie Agnès Brigot, Robert Bacri

Principais premiações: Grande Prêmio das Américas no Festival de Montreal, Melhor Filme, Roteiro, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante no César; Indicado ao OScar de Melhor Filme Estrangeiro.


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31.8.09

Cineclube Natal - 170ª sessão: Seção Especial de Justiça


A política no cinema nunca foi a mesma depois do cineasta Costa-Gavras
- "Seção Especial de Justiça", do diretor franco-grego, no Cinéphilie de setembro -

Dando continuidade ao ciclo Vive La France! em homenagem ao Ano da França no Brasil, o Cineclube Natal, em parceria com a Aliança Francesa exibirá, no próximo dia 09 de setembro, o filme Sessão Especial de Justiça, do polêmico e consagrado diretor Costa-Gavras. A sessão é gratuita e tem início às 18:30 horas. A classificação indicativa é de 16 anos.


Baseado numa história real, o filme se passa na Segunda Guerra Mundial, na França, mas traça paralelos ainda relevantes com o cenário político contemporâneo. Um jovem oficial militar alemão é morto durante a ocupação parisiense. Quatro jovens franceses idealistas são presos e torturados como uma forma de mostrar as forças do regime político totalitário. Em síntese, um verdadeiro libelo contra o governo Vichy e a volta de leis anti-terroristas ultrapassadas, que permitiram ao sistema judiciário francês julgar novamente um grupo de prisioneiros para acalmar os ânimos dos alemães.

Com muita clareza, Sessão Especial de Justiça aborda o perigo da criação de tribunais de exceção, ressaltando a importância da figura do juiz natural, dotado de imparcialidade e isenção, garantia constitucional de todo e qualquer acusado, mas sempre ignorada em regimes totalitários. Justiça de exceção, segundo a análise do diretor, não é justiça, mas sim oportunismo estatal.

Constantin Costa-Gavras é um diretor versátil e com faro para assuntos polêmicos. Em seu "Z", de 1969, fez sucesso com um thriller político que abordava o golpe militar na Grécia e as facetas cruéis dessa transição. Com ele, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e os prêmios da National Society of Film Critics e do New York Film Critics Circle - e de quebra o reconhecimento mundial de seu talento. Enfim, um diretor que se destacou no cenário internacional sem comprometer suas convicções políticas. Com certeza, um prato cheio para os interessados numa discussão jurídico-política acerca dos limites do Estado contemporâneo.

Assista aqui a uma cena de Seção Especial de Justiça:


Sessão Cinéphilie
Quarta-feira, 09 de setembro
18:30 horas
Aliança Francesa
R. Potengi, 459, Petrópolis
Fone: 3222-1558
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 16 anos


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[FICHA TÉCNICA: "SEÇÃO ESPECIAL DE JUSTIÇA"]
Título original: Section Spéciale
País: França, Itália, Alemanha Ocidental
Ano: 1975
Duração: 118 minutos
Cor: colorido
Idioma: francês
Gênero: drama
Estúdio: Goriz Films, Janus Film, Les Productions Artistes Associés, Reggane Films
Roteiro: Hervé Villeré (livro), Jorge Semprún, Constantin Costa-Gavras
Direção: Constantin Costa-Gavras
Produção: Gérard Crosnier, Claude Heymann, Jacques Perrin, Giorgio Silvagni
Fotografia: Andréas Winding
Música: Éric Demarsan
Cenário: Max Douy
Figurino: Hélène Nourry
Edição: Françoise Bonnot
Elenco: Louis Seigner, Michael Lonsdale, Ivo Garrini, François Maistre, Jacques Spiesser, Henri Serre, Heinz Bennent e Hans Ritcher

Principais premiações: Melhor Diretor no Festival de Cannes; Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes e a Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro.

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18.8.09

Cineclube Natal - 167ª sessão: Minha Estação Preferida


Uma pausa para o cinema francês, no Cinephilie

Nesta quinta-feira, 20 de agosto, o Cineclube Natal dá uma pausa no ciclo de filmes iranianos para retomar sua parceria com a Aliança Francesa e exibe, dentro do projeto Cinéphilie, o pungente A Minha Estação Preferida (André Techiné, 1993). A sessão começa às 18:30 horas e a entrada é franca. A classificação indicativa é 16 anos.


Este é um belo dama do diretor André Techiné sobre uma família disfuncional do interior da França. No centro dela, a matriarca Berthe (Marthe Villalonga) e seus filhos Antoine (Daniel Auteil) e Emilie (Catherine Deneuve). O filme acompanha uma reunião dos irmãos, que vêem sua atribulada história ganhar força - e sentido - no momento em que sua mãe começa a perder a razão e a vida, acontecimento que leva-os a se confrontar com seus destinos e com o que fizeram de suas vidas - especialmente Emilie, infeliz no matrimônio.

André Téchiné arquiteta uma história intensa e dolorosa sobre essa complexa dinâmica familiar. O abismo existente entre a mãe e os filhos evoca temas como a modernidade das relações familiares e as diferenças entre classes sociais na França. Não estamos falando, aqui, de problemas corriqueiros, vez que, tal qual o filme viscontiano "As Vagas Estrelas da Ursa", Techiné ousa abordar temas sexuais latentes como o sentimento incestuoso mal resolvido dos irmãos, ambos em plena crise de meia-idade - de maneira sutil e contida, vale frisar. Numa escala menor, o diretor francês, dentro do microcosmo familiar, pinta um interessante retrato da visão do homem sobre a mulher - e a luta pelo poder entre eles existente, especialmente em termos sexuais.

Catherine Deneuve está genial como Emilie, um mulher fria e alienada do mundo, mas também extremamente vulnerável quando caídas suas mácaras sociais - papel recorrente na vasta cinematografia da atriz francesa. Daniel Auteil igualmente nos brinda com uma excelente atuação na pele do meticuloso Antoine. O diálogo é brilhante, porém lento, gradativamente nos revelando a maneira como Emile e Antoine se enxergam. É curioso acompanhar Antoine, um neurocirurgião, dissecar logicamente sua relação com a irmã, fazendo uma clara ligação com seu assunto favorito: o cérebro.

Enfim, um grande elenco, uma competente direção e um roteiro interessante fazem de Minha Estação Preferida uma ótima pedida para os amantes da cinematografia francesa. Para aqueles que conferiram outro belo filme do diretor exibido no Cineclube Natal este ano, As Rosas Selvagens, com certeza reconhecerão o inconfundível estilo humanista do francês e não irão se decepcionar.

Assista aqui à sequência de abertura e às cenas iniciais (legendadas em inglês) de Minha Estação Preferida:


Sessão Cinéphilie
Quinta-feira, 20 de agosto
18:30 horas
Aliança Francesa
R. Potengi, 459, Petrópolis
Fone: 3222-1558
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 16 anos


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[FICHA TÉCNICA: "MINHA ESTAÇÃO PREFERIDA"]
Título original: Ma Saison Préférée
País: França
Ano: 1993
Duração: 127 minutos
Cor: colorido
Idioma: francês
Gênero: drama
Estúdio: D.A. Films, Les Films Alain Sarde, TF1 Films Production
Roteiro: Pascal Bonitzer, André Techiné
Direção: André Techiné
Produção: Alain Sarde
Fotografia: Thierry Arbogast
Música: Philippe Sarde
Figurino: Claire Fraisse
Edição: Martine Giordano
Desenho de Produção: Carlos conti
Elenco: Catherine Deneuve, Daniel Auteuil, Marthe Villalonga, Jean-Pierre Bouvier, Chiara Mastroianni, Carmen Chaplin, Anthony Prada, Michèle Moretti, Jacques Nolot, Bruno Todeschini, Jean Bousquet, Roschdy Zem, Ingrid Caven

Principais premiações: Melhor Filme Estrangeiro pela Sociedade de Críticos de Cinema de Boston; Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes, indicado ao César de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Atriz Revelação, indicado ao Melhor Filme no Festival de Gramado.


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16.6.09

Cineclube Natal - 161ª sessão: Plataforma



Público natalense terá o privilégio de assistir
"A Plataforma", no Cinéphilie
- Em convênio com o Ministério das Relações Exteriores da França, o Cineclube Natal e a Aliança Francesa trazem o aclamado filme chinês, não lançado no Brasil -

Nesta quarta-feira, dia 17 de junho de 2009, o Cineclube Natal apresentará, em parceria com a Aliança Francesa dentro do projeto Cinéphilie, o filme A Plataforma (Zhantai, China/França/Japão, 2000), do diretor Jia Zhang-ke. A sessão começa às 17:00 horas e a entrada é franca. A classificação indicativa é 14 anos.


Um grupo de teatro amador da cidadezinha de Fenyang, na China, ganha a vida encenando e exaltando as ações do ditador Mao Tse Tung. O jovem Minliang é um dos atores e, quando não está ocupado com as atividades do grupo, fica com a jovem Ruijuan, com quem tem uma relação muito conturbada. E não demora para que ele descubra que a namorada está prometida a outro homem. Os meses passam e chegam os anos 80, sendo que com a abertura do mercado chinês o país começa a ter contato com a cultura ocidental e os hábitos que antes eram proibidos pelo regime político (como fumar, por exemplo) agora são permitidos. Diante da nova situação social e econômica do país, o futuro do grupo de teatro, mantido com verba estatal, é incerto.

A grande virtude do diretor Jia Zhang-ke ("Prazeres Desconhecidos", "Inútil", "O Mundo" e o inédito no Brasil "Pickpocket") reside no carinho e no tempo que dedica a seus personagens para que eles existam, na maneira como filma seus desejos e o espaço onde vivem. Plataforma herda seu nome de uma canção homônima, muito popular nos anos 80, um rock que expressa em sua letra o caráter sem muita esperança de toda uma geração, tratando das expectativas para o futuro - e tem muita relação com a época em que o diretor do longa, Jia Zhang-ke, se tornou adulto. Com muito carinho e no entanto demonstrando toda a crueldade da situação, essa música é tocada no filme quando o caminhão que leva a trupe está enguiçado no meio de uma paisagem desértica. Ao longe, ouve-se um barulho: é um trem, algo que em Fenyang nunca existiu. Eles correm o mais rápido possível para vê-lo mais de perto, mas só conseguem chegar quando ele já passou. Triste e ao mesmo tempo vigoroso, Plataforma é um sopro de juventude e força, de devoção ao mundo (mesmo que o mundo não retribua) e de confiança nos poderes instauradores de mundo do cinema.


O diretor Jia Zhang-ke faz parte dos cineastas da chamada "6ª Geração" de realizadores chineses, que promoveu uma ruptura com a geração anterior, de autores como Zhang Yimou ou Chen Kaige, mais dedicados a produções lustrosas e a temáticas mais tradicionais. Este desejo de renovação, afirmado também por Jia, não parece refletir-se substancialmente no seu cinema, pelo menos a julgar por este filme, exceto se considerarmos apenas a falta de meios técnicos, o orçamento reduzido ou o desinteresse por qualquer conceito formal – tradicional ou experimental – em termos de fotografia, composição ou design de produção, o que confere ao filme um tom bastante realista.

A única oportunidade em que o filme chegou ao Brasil foi em 2001, na 25ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, já que não houve lançamento nos cinemas (nem ao mesmo no circuito "de arte") e nem em DVD. Portanto esta é uma oportunidade única e imperdível que o Cineclube Natal e a Aliança Francesa, em convênio com o Ministério das Relações Exteriores da França, promovem nesta quarta-feira, às 17hs.

Assista aqui ao trailer (com legendas em espanhol) de Plataforma:


Sessão Cinéphilie
Quarta-feira, 17 de junho
17 horas
Aliança Francesa
R. Potengi, 459, Petrópolis
Fone: 3222-1558
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 14 anos


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[FICHA TÉCNICA: "PLATAFORMA"]
Título original: Zhantai
País: China, França, Hong Kong, Japão
Ano: 2000
Duração: 155 minutos
Cor: colorido
Idioma: mandarim,shanxi
Gênero: drama, histórico
Estúdio: Artcam International, Bandai Entertainment Inc., Hu Tong Communications, Office Kitano, T-Mark
Roteiro: Zhang Ke Jia
Direção: Zhang Ke Jia
Produção: Shozo Ichiyama, Kit Ming Li
Fotografia: Nelson Yu Lik-wai
Música: Yoshihiro Hanno
Direção de Arte: Sheng Qiu
Figurino: Lei Qi, Xiafei Zhao
Edição: Jing Lei Kong
Elenco: Hongwei Wang, Tao Zhao, Jing Dong Liang, Tian Yi Yang, Bo Wang, Sanming Han

Principais premiações: Prêmio NETPAC (Rede de Promoção do Cinema Asiático) no Festival de Veneza, Prêmios Don Quixote e FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema) no Festival de Friburgo, Melhor FIlme no Festival Internacional de Buenos Aires; Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza


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20.5.09

Cineclube Natal - 157ª sessão: O Cavaleiro do Telhado e a Dama das Sombras


O talento de Juliette Binoche no Cinephilie


Nesta quinta-feira, dia 21 de março do corrente ano, o Cineclube Natal e a Aliança Francesa exibirão, dentro do projeto Cinephilie, o belo O Cavaleiro do Telhado e a Dama das Sombras (Le Hussard Sur Le Toit, 1995). A sessão começará às 17:00 horas e a entrada é franca.



No Sul da França do século XIX, um jovem oficial italiano (Olivier Martinez), idealista e fugitivo do exército francês, tenta voltar ao seu país. A seu redor, uma epidemia causa o pânico e extermina com tudo. Ele tenta se manter vivo e suas chances aumentam quando encontra uma bela e enigmática mulher (Juliette Binoche), que também está em fuga e busca um misterioso marido desaparecido.

Depois do monumental sucesso de seu "Cyrano de Bergerac", o diretor Jean-Paul Rappeneau tentou criar um filme ainda mais luxuoso e belo, O Cavaleiro do Telhado e a Dama das Sombras, que consiste numa adaptação do romance homônimo do francês Jean Giono. Rappeneau admitiu que o romance era praticamente impossível de adaptar às telas, mas que ficara tão impressionado com a beleza da obra que resolveu assumir o risco. Ao exorbitante custo de 176 milhões de francos, este foi o filme francês mais caro até então. Acabou se tornando um sucesso mundial moderado, sendo eventualmente indicado a 10 "César" (O Oscar francês), ganhando apenas dois, por melhor som e cinematografia - merecidamente.


Além da espetacular fotografia, muito dos méritos do filme reside na química entre os dois atores principais, salientando que o diretor evita com destreza os óbvios estereótipos dos romances ambientados nessa particular época. Embora os personagens estejam evidentemente apaixonados, o respeito mútuo entre eles, o seu código de honra e senso de lealdade se transformam em verdadeiros obstáculos morais para a consumação de seu amor. O desenvolvimento dessa relação e interação entre os personagens consistem num dos pontos mais fortes do filme, conferindo-lhe uma sutileza e profundidade que vão além do que nos é comumente apresentado no chamado "cinema moderno".

A despeito de algumas falhas, em especial a narrativa truncada, O Cavaleiro do Telhado e a Dama das Sombras possui um charme indefinível que mantém a atenção do espectador do seu início ao fim. Com certeza a sensível atuação de Binoche como uma mulher forte de grande senso moral, aliada às espetaculares locações - que fazem deste filme um dos mais belos "road movies" franceses -, tornam O Cavaleio do Telhado e a Dama das Sombras uma obra a ser conferida.


Assita aqui ao trailer de O Cavaleiro do Telhado e a Dama das Sombras:



Sessão Cinéphilie
Quinta-feira, 21 de maio
17 horas
Aliança Francesa
R. Potengi, 459, Petrópolis
Fone: 3222-1558
Entrada gratuita
Classificação indicativa: livre


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[FICHA TÉCNICA: "O CAVALEIRO DO TELHADO E A DAMA DAS SOMBRAS"]
Título original: Le Hussard Sur Le Toit
País: França
Ano: 1995
Duração: 120 minutos
Cor: colorido
Idioma: francês
Gênero: drama
Estúdio: Hachette Première, Canal+, Centre Européen Cinématographique Rhône-Alpes, Compagnie Européenne Cinématographique (CEC), Entree Europees Cineatografique, France 2 Cinéma
Roteiro: Jean-Claude Carrière, Nina Companéez, Jean-Paul Rappeneau, Jean Giono (romance)
Direção: Jean-Paul Rappeneau
Produção: Bernard Bouix, René Cleitman
Fotografia: Thierry Arbogast
Música: Jean-Claude Petit
Direção de Arte: François Hamel
Desenho de Produção: Ezio Frigerio, Jacques Rouxel
Figurino: Franca Squarciapino
Edição: Noëlle Boisson
Elenco: Juliette Binoche, Olivier Martinez, Pierre Arditi, François Cluzet, Jean Yanne, Claudio Amendola, Isabelle Carré, Carlo Cecchi, Jacques Sereys, Christophe Odenti, Yolande Moreau

Principais premiações: César de Melhor Fotografia e Melhor Som; Indicado ao César de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Atriz Mais Promissora, Melhor Edição, Melhor Figurino, Melhor Desenho de Produção e Melhor Música.

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20.4.09

Cineclube Natal - 152ª sessão: Os Visitantes


Uma visita ao ano de 1993
- Os Visitantes será o primeiro filme da sessão Cinéphilie, novo projeto do Cineclube Natal, em parceria com a Aliança Francesa -

Nesta quarta-feira, dia 22 de abril, o Cineclube Natal, dando continuidade à sua nova sessão fixa, o recém-inaugurado projeto "Cinéphillie", está de volta à Aliança Francesa e apresentará o filme Os Visitantes (Les Visiteurs, 1993, do diretor Jean-Marie Poiré), às 18:30 horas. A entrada é franca e a censura, livre.


Os Visitantes
consiste num dos melhores exemplares da comédia francesa dos anos noventa, sendo um dos maiores fenômenos de bilheteria da França - com mais de 10 milhões de espectadores só neste país. Uma comédia hilariante estrelada pelos astros Jean Reno ("O Código Da Vinci") e Christian Clavier ("Astérix & Obelix").

No ano de 1123, o conde de Montmirail, Godefroy de Paincourt, acidentalmente mata o pai de sua noiva e pede a um mago que o leve de volta no tempo para reverter a situação. A magia, porém, sai ao contrário, sendo que Papincourt e seu fiel escudeiro Jacquoille acabam parando na França de 1993. Numa sucessão de acontecimentos hilários, eles são conduzidos até a descendente direta de Godefroy, Béatrice. Esta reconhece nele os traços de seu antepassado, cujo retrato adornava uma das paredes do castelo que ela teve de vender, devido a alguns problemas financeiros, a um novo-rico covarde e esnobe, Jacquart, descendente e, portanto, extremamente parecido com Jacquoille. A confusão está armada nesta comédia de humor tipicamente francês.


Interessante notar que este filme só atinge todo potencial cômico em seu idioma de origem, o francês, ficando a dever em dublagens para outras línguas. Os trocadilhos são hilários, sendo que nenhuma tradução - por mais bem feita que seja - consegue substituir a criatividade dos diálogos originais em francês. A sessão Cinéphilie exibirá em áudio original, visando o aprimoramento do idioma para os alunos da Aliança Francesa, um dos objetivos do projeto. Logicamente, haverá legendas em português, para atender o público externo, outra meta de qualquer sessão do Cineclube Natal. Portanto, uma boa pedida para os conhecedores e amantes do francês, mas também para os apreciadores de uma comédia histórica com toques de "non-sense", nos moldes de "O incrível Exército de Brancaleone" e "Monty Python e o Cálice Sagrado".

Assista aqui a algumas cenas (em francês) de Os Visitantes:


Sessão Cinéphilie

Quarta, 22 de abril
18:30 horas
Aliança Francesa
R. Potengi, 459, Petrópolis
Fone: 3222-1558
Entrada gratuita
Classificação indicativa: livre


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[FICHA TÉCNICA: "OS VISITANTES"]
Título original: Les Visiteurs
País: França
Ano: 1993
Duração: 107 minutos
Cor: colorido
Idioma: francês
Gênero: comédia / fantasia
Estúdio: Alpilles Productions, Amigo Productions, Canal+, France 3 Cinéma, Gaumont International
Roteiro: Christian Clavier, Jean-Marie Poiré
Direção: Jean-Marie Poiré
Produção: Alain Terzian
Fotografia: Jean-Yves Le Mener
Música: Eric Levi
Direção de Arte: Bertrand Seitz
Desenho de Produção: Huhues Tissandier
Figurino: Catherine Leterrier
Edição: Catherine Kelber
Elenco: Jean Reno, Christian Clavier, Valérie Lemercier, Christian Bujeau

Principais premiações: César de Melhor Atriz Coadjuvante; Indicado aos César de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator (Jean Reno e Christian Clavier), Melhor Edição, Melhor Música e Melhor Figurino.



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