9.7.08

Cineclube Natal - 130ª exibição: Um Dia Muito Especial

Um filme muito especial
no Cine Vanguarda
Próximo domingo, dia 13 de julho, às 17:00 horas, o Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular, apresenta um dos filmes mais tocantes do cineasta Ettore Scola: Um Dia Muito Especial, de 1977, com Marcello Mastroianni e Shophia Loren no elenco. A estória se passa em Roma, no dia 6 de maio de 1938. Benito Mussolini e Adolf Hitler se encontram para selar a união política que, no ano seguinte, levaria o mundo à 2ª Guerra Mundial. Praticamente toda a população vai ver este acontecimento, inclusive o marido fascista de Antonietta (Sophia Loren), uma solitária dona de casa que conhece acidentalmente Gabrielle (Marcello Mastroianni), seu vizinho, quando seu pássaro de estimação foge e ela o encontra pousado na janela do vizinho. Antonietta nunca falara com Gabrielle, que tinha sido demitido recentemente da rádio onde trabalhava por ser homossexual. Ela, por sua vez, era uma esposa infeliz e insegura pelo fato de não ter uma formação profissional. Gradativamente os dois desenvolvem um tipo muito especial de amizade.

Em verdade, o filme não se propõe a tecer somente um comentário social da homossexualidade de Grabrielle, ao contrário do que se poderia esperar. Ettore Scola é muito hábil em não pintar o radialista como uma vítima da vida, mas sim daquela circunstância específica, qual seja, a consolidação do fascismo na Itália e consequente perseguição política e ideológica. O filme trata, primordialmente, do encontro de Gabrielle e Antonietta, dois vizinhos aparentemente tão distintos, não cuidando o roteiro em destacar suas diferenças como indivíduos sociais, mas sim as suas semelhanças como seres humanos. Antonietta, a típica dona de casa italiana, também é "prisioneira" de uma ordem social, mesmo que não tenha total consciência disso. Com o encontro dos dois presenciamos dois seres humanos que, num único dia de suas vidas, trocam suas experiências e se tornam pessoas um pouco melhores. Por fim, é no mínimo curioso ver a mulher fatal do cinema italiano, Loren, e o conquistador Mastroianni, em papéis tão atípicos e tão bem representados.

Por conta do talento dos protagonistas e da orquestração delicada de Scola, a intimidade e o cenário fascista (o rádio não deixa esquecer que estamos em dia de festa do Duce) dialogam o tempo todo. A combinação do rigor político do período e da alma insondável dos personagens revela mundos em faísca permanente. Scola costuma ser relegado a uma espécie de diretor "menor" do grande cinema italiano, mas em Um Dia Muito Especial, ele se equipara aos mestres. Todos estão convidados. A entrada custa R$ 2,00 (dois reais) para os não sócios, sendo que membros da ADURN não pagam.
Sessão Cine Vanguarda
Domingo, 13 de Julho
17 h
Teatro de Cultura Popular
Rua Jundiaí, 641, Tirol
(ao lado da fundação José Augusto)
R$ 2.00


[FICHA TÉCNICA: "UM DIA MUITO ESPECIAL"]
Gênero: Drama
Diretor: Ettore Scola
Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento: 1977
País de Origem: Itália
Idioma do Áudio: Italiano
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0076085/

Premiações:

- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, além de ser indicado na categoria de Melhor Ator - Drama (Marcello Mastroianni).
- Ganhou o Cesar de Melhor Filme Estrangeiro.
- Recebeu 2 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Ator (Marcello Mastroianni) e Melhor Filme Estrangeiro.

Curiosidades:

* Alessandra Mussolini, neta de Benito Mussolini e sobrinha de Sophia Loren (a irmã da atriz se casou com o filho do ditador), interpreta Maria Luisa.
* Produzido pelo famoso Carlo Ponti, falecido marido de Sophia Loren e produtor de alguns dos maiores clássicos do cinema, como o inesquecível Duas Mulheres (1960), de Vittorio De Sica, Dr. Jivago (1965), de David Lean, e Blow-Up (1966), de Michelangelo Antonioni.
8805 - 4666 / 9406 – 8177 / / 9404 – 8765

2.7.08

Cineclube Natal - 129ª exibição: Minha Vida em Cor de Rosa



Noite de tolerância, aceitação e discussão

Nesta sexta-feira, dia 04 de julho, às oito horas da noite, o Cineclube Natal, em parceria com o Nalva Melo Salão Café, apresenta um dos mais belos filmes já produzidos sobre a sexualidade infantil: Ma Vie En Rose - Minha Vida em Cor de Rosa. A estória passa-se na Bélgica, em alguma cidade da parte Wallon (francofônica) não-identificada. Num bairro típico de classe média, careta, com visual bastante kitsch, chega a família Fabre, pai, mãe e suas quatro crianças. A peculiaridade dessa família é que seu filho mais novo, Ludovic, de sete anos, acha que é um menino-menina e que vai se transformar em menina a qualquer momento. A intolerância e a obtusidade da vizinhança faz com que ele sofra preconceito e rejeição.

O argumento do filme é muito feliz em diversos aspectos. O uso de uma criança como protagonista levanta a questão da homossexualidade (neste caso, transexualidade) como condição inata, retirando a conotação de perversão e mostrando que não se trata de uma opção, uma escolha consciente, mas sim uma característica da pessoa, independente da sua vontade. A incorporação do universo lúdico da criança dá leveza ao filme sem lhe tirar a seriedade e, em sua delicadeza, deixa muito mais evidente o absurdo do preconceito. O menino que interpreta Ludovic (Georges Du Fresne) é de uma doçura ímpar que conquista o espectador com seu sorriso e seu olhar verdadeiros.

É um belo filme, que remete até mesmo aos melhores trabalhos de Almodovar. Sua maior virtude está em não cair no melodrama, nem dar um tom maniqueísta à estória. Não existem pessoas nem boas, nem ruins: apenas aquelas que aceitam ou não uma situação de diferença. Não há como fugir de um sentimento de melancolia e até de alguma lágrima escorrida ao vermos uma pessoa inocente e sem maldades sofrer preconceito e discriminação apenas por ser quem ela é, sem fazer mal a ninguém. Um filme especial, no tom certo e que pode até fazer com que as pessoas com um mínimo de sensibilidade repensem alguns de seus preconceitos.

Assista aqui ao trailer (em inglês) de Minha Vida em Cor de Rosa:


Cine Café
Sexta-feira, 04 de julho
20h
Nalva Melo Café Salão
(Rua Duque de Caxias, 110, Ribeira)
Informações: 3212-1655
R$ 2.00
Classificação indicativa: 12



[FICHA TÉCNICA: MINHA VIDA EM COR DE ROSA]
Michèle Laroque ... Hanna Fabre
Jean-Philippe Écoffey ... Pierre Fabre
Hélène Vincent ... Élisabeth
Georges Du Fresne ... Ludovic Fabre
Daniel Hanssens ... Albert
Laurence Bibot ... Lisette
Jean-François Gallotte ... Thierry
Caroline Baehr ... Monique
Julien Rivière ... Jérôme
Marie Bunel ... Psychoanalyst
Gregory Diallo ... Thom Fabre
Erik Cazals De Fabel ... Jean Fabre
Cristina Barget ... Zoé Fabre
Gênero: drama
Diretor: Alain Berliner
Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento: 1997
País de Origem: Bélgica/França/Reino Unido
Idioma do Áudio: francês
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0119590

Onze prêmios e mais cinco indicações em festivais como
BAFTA Awards
César Awards, France
European Film Awards
Film Critics Circle of Australia Awards
Golden Globes, USA
São Paulo International Film Festival
Satellite Awards


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24.6.08

Cineclube Natal - 128ª exibição: Kiriku e a Feiticeira



O deslumbre da tradição africana
no Cine Curumim


Neste sábado, 28 de Junho, o Cineclube Natal tem uma programação voltada para as crianças e todos aqueles que gostarem de se divertir com um bom desenho animado, que consegue aliar diversão a conhecimento. É a exibição do filme Kiriku e a Feiticeira, do diretor francês Michel Ocelot, considerado um dos mais belos desenhos animado. A sessão Cine Curumim acontecerá neste sábado, 9:00 horas no Cine Sesc da Av. Rio Branco. O acesso é gratuito.

Com todo o fascínio da tradição africana, a animação francesa Kiriku e Feiticeira celebra a coragem, a curiosidade e a astúcia, baseada em uma lenda da África Ocidental. Na lenda uma comunidade é subjugada por uma terrível feiticeira, que secou a fonte d’água que abastece a aldeia. Habitante dessa aldeia, Kiriku é um menino do tamanho do joelho de um adulto, astuto e veloz que luta para libertar sua aldeia das mãos da feiticeira.

Kiriku e a Feiticeira é um filme cheio de lições de moral com cunho educativo, pois o corajoso menino aprende em sua luta que a origem de tanta maldade é o sofrimento e só a verdade, o amor, a generosidade e a tolerância, aliados à inteligência, são capazes de vencer a dor. O longa-metragem ganhou vários prêmios na França e em outros países, como o de Melhor Filme, Público Adulto e Infantil, no Festival Internacional de Filmes para Crianças de Chicago 1999 (EUA).

Michel Ocelot é um cineasta de animação com uma sensibilidade espetacular. Antes de dirigir o filme Kiriku e a Feiticeira, o diretor passou vinte anos produzindo curtas-metragens com uma série de televisão. Ao lhe proporem um longa-metragem, Ocelot pensou logo na África, sua casa dos seis e doze anos de idade, quando seus pais foram trabalhar na Guiné. Michel Ocelot consegue em seu filme retratar a África de maneira mais real que outros cineastas, mesmo que de forma fantasiosa. Kiriku e a Feiticeira é talvez o mais belo desenho animado realizado

Cine Curumim
Sábado, 28 de junho
9h00min
Cine SESCAv. Rio Branco, 375, Cidade Alta
Informações: 3212-1655
Entrada gratuita
Classificação etária: livre

[Ficha técnica – Kiriku e a Feiticeira]
Título original: Kirikou et la Sorcière / Kirikou and the Sorceress
Ano/ País: 1998, França, Bélgica e Luxemburgo
Tempo: 71 min
Censura: Livre
Gênero: Desenho animado
Direção: Michel Ocelot
Roteiro: Michel Ocelot
Produção: Didier Brunner, Paul Thiltges, Jacques Vercruyssen
Música: Youssou N´Dour
Edição: Dominique Lefèvre


8805 - 4666 / 9406 – 8177 / / 9404 – 8765

16.6.08

Cineclube Natal - 127ª exibição: O Homem que Virou Suco


Um Brasil que não mudou



A resistência de um poeta diante de uma sociedade opressora, esse é o tema da próxima sessão do Cine Assembléia, que exibirá o filme nacional com direção de João Batista de Andrade, "O Homem que virou suco". A sessão é uma parceria do Cineclube Natal com a Assembléia Legislativa


O filme conta a história de um poeta popular recém-chegado do Nordeste, que passa a viver em São Paulo um drama, ao ser confundido com um assassino. Deraldo vive de vender seus folhetos e poesias até o dia que é confundido com um operário de uma multinacional que mata o patrão na festa em que recebe o título de operário símbolo.

João Batista de Andrade faz uma forte crítica experimentando a narrativa popular, documentário e ficção. O filme foi feito em uma época em que o Brasil passava pelo fim da ditadura militar e por isso sofria mudanças. No entanto, essas mudanças que o país sofreu, não foram o suficiente para mudar o quadro de discriminação que o filme aborda, por isso "O Homem que Virou Suco" continua atual.

A sessão de exibição do filme "O Homem que Virou Suco" acontecerá quinta-feira, dia 26 de junho, na Assembléia Legislativa, Praça 7 de Setembro, Cidade Alta, às 18h. O acesso é gratuito.


Sessão Cine Assembléia
Quinta-feira, 26 de junho
18 horas
Assembléia Legislativa
Praça 7 de Setembro,
Cidade Alta
Classificação etária:16 anos


[FICHA TÉCNICA: O HOMEM QUE VIROU SUCO]
Título Original: O Homem Que Virou Suco
Gênero: Drama
Duração: 90 min.
Lançamento (Brasil): 1980
Distribuição: Dinafilme, embrafilme e CDI
Assistente de direção: Adilson Ruiz
Roteiro: João Batista de Andrade
Produção: Raiz Produções
Produção Executiva: Assunção Hernandes
Diretor de Produção: Wagner de Carvalho
Música: Vital Farias
Fotografia: Aloysio Raulino
Desenho de Produção: Marisa Rebolo
Figurino: Marisa Rebolo Edição: Alain Fresnot