3.10.11

Nelson Marques, do Cineclube Natal, concede entrevista para o Portal do Curta

Durante o 22º Festival de Curtas-metragens de São Paulo, o cineclubista Nelson Marques, vice-presidente do Cineclube Natal, falou ao Portal do Curta sobre seu trabalho realizando mostras de filmes e oferecendo cultura em Natal.

Para conferir a postagem completa no site, acesse o seguinte link: http://portaldocurta.com/2011/09/13/cineclubismo-divulgando-o-cinema/

 O vídeo da entrevista segue abaixo:

28.9.11

Cine Assembleia: "Pro Dia Nascer Feliz"


Dando continuidade ao debate sobre Educação, a sessão de setembro do Cine Assembléia, promovida em conjunto pelo Cineclube Natal e Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, exibirá nesta quinta-feira, dia 29, o documentário "Pro Dia Nascer Feliz" (2006, BRA) de direção, roteiro e produção do cineasta João Jardim, consagrado pela criação do também documentário “Janela da Alma” (2002).

João Jardim, com o intuito de investigar o relacionamento do adolescente com a escola, colheu depoimentos de alunos e professores de seis escolas de Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro, com realidades sociais distintas. É construído um mosaico de situações que nos apresenta de forma real a falência do sistema educacional brasileiro: a falta de afetividade e de atividades que interessam aos jovens na escola, a apatia e indisciplina dos alunos, a desistência e descaso da equipe pedagógica, o mau investimento e a má gestão do dinheiro público. Mas também os sonhos, esperanças e luta da juventude brasileira. Possibilitando um bom momento de reflexão e discussão.

A exibição do longa é gratuita e aberta ao público em geral. Acontecerá as 18h no prédio da Assembleia Legislativa. A escola convidada será a Escola Estadual José Vieira, de São Gonçalo do Amarante. A classificação indicativa do filme é livre e a pipoca é cortesia da casa!

Nota: Pede-se aos participantes que não trajem bermudas. Aconselha-se ainda que levem casacos devido à temperatura do local.

4.9.11

Mostra “John Cassavetes” é oportunidade para conhecer o pai do cinema independente americano


Considerado pioneiro no cinema independente norte-americano, John Cassavetes foi ator, roteirista e diretor, deixando uma marca própria na cinematografia de seu país com três obras-primas realizadas nos anos 70: “Uma Mulher Sob Influência”, “A Morte de um Bookmaker Chinês” e “Noite de Estreia”. O Cineclube Natal exibirá esses e outros três filmes do diretor, em mostra que começa no dia 13, e vai até 18 de setembro, no Teatro de Cultura Popular, localizado na Rua Jundiaí, em Petrópolis. As sessões começam sempre às 18h30, e o Cineclube cobra apenas uma taxa de manutenção de R$ 2 por filme.

Após começar uma carreira de diretor que sucedeu seus primeiros trabalhos como ator, Cassavetes recusou os moldes hollywoodianos e optou por um cinema que retrata a sociedade americana com suas insatisfações, preconceitos, soberba e angústias. Na busca da densidade do momento e valorizando a criação dos atores, o cineasta dirigiu seu primeiro longa-metragem, “Sombras” (1959), sobre a arte da improvisação, que aborda o preconceito ao falar sobre negros na busca por identificação em Manhattan. “Sombras” é o primeiro filme a ser exibido na Mostra, no dia 13.

Seus filmes eram feitos praticamente sem recursos, com um elenco formado por amigos e servindo sua própria casa como locação. Bem no estilo glauberiano de "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", Cassavetes foi de encontro ao american way of life tão vangloriado pelo cinema da época, buscando inspiração no cinema direto e em seus colegas europeus, que nessa época estavam totalmente voltados para o neo-realismo e aNouvelle Vague.

"Cassavetes foi um marco. Ele levou para o cinema americano aquilo que víamos no cinema europeu com a Nouvelle Vague e o Neo-realismo italiano, deu liberdade aos atores e desvencilhou o cinema do rigor formal gravando em locações e contando histórias sobre o dia-a-dia", afirmou o jornalista e doutor em Cinema Alexandre Figueirôa. Contemporâneo de cineastas como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Woody Allen e Brian De Palma, John Cassavetes se destacou pela ousadia e pelo forte tom realista que deu a seus filmes, desbravando o desconhecido território do cinema independente sem se importar com o apreço do público.

A carreira do diretor teve fim em 1989, com sua morte por cirrose hepática, aos 59 anos. “Se eu puder, farei filmes com não-profissionais, com pessoas que se permitem sonhar com uma recompensa diferente do dinheiro, pessoas com um desejo frenético de participar de algo criativo sem saberem exatamente o quê. Fazer filmes é prazer em estado puro”, declarou Cassavetes.

A seguir, a lista de filmes que serão exibidos na Mostra, com as respectivas sinopses.
Filmes da Mostra “John Cassavetes”:

13.09 – Sombras (1959): Ben leva uma vida errante, sem muitos propósitos. Sua irmã Lelia está prestes a se apaixonar e sofrer. O outro irmão Hugh tenta uma carreira como músico, mas não tem tido muita sorte. O trio se envolve numa rede de amores, mentiras e preconceitos. Tudo ligado pelo jazz. O primeiro longa do diretor é considerado pela crítica um manifesto do novo cinema independente americano, utilizando técnicas do documentário, com atores e técnicos não-profissionais, e aplicando o cinema direto e a improvisação no domínio da ficção. Consegue capturar a essência da era beat e o início de uma grande mudança que se preparava para acontecer. O racismo deixava de ser tão evidente e tomava lentamente a forma de tabu.


14.09 - Faces (1968): O casamento de Richard e Maria está em crise. Numa noite, ele deixa a mulher para ir ao encontro da jovem Jeannie, que conhecera recentemente. Maria também sai com as amigas, à procura de diversão, e conhece Chet, um rapaz que não mede esforços em agradá-las. A noite é intensa, mas chega ao fim.


15.09 - Amantes (1984): Sarah Lawson está à beira do divórcio. Tem andado fora e dentro de instituições psiquiátricas e, subitamente, a sua filha Debbie decide ir viver com o pai, farta do seu obsessivo cerco maternal. Após uma viagem pela Europa, a fim de se recuperar das depressões, Sarah regressa na mesma e é rejeitada pela filha e pelo marido. Decide, então, ir viver com o seu irmão, Robert. Robert, um escritor divorciado, vive rodeado de belas mulheres, segundo ele, para recolher material para um livro sobre a vida noturna. Repentinamente, o seu filho Albie, de oito anos, é deixado aos seus cuidados pela ex-mulher e, do dia para a noite, Robert vê-se a braços com uma estranha e inesperada família em casa, que o obriga a mudar todos os seus hábitos, principalmente, em matéria de mulheres.


16.09 - A Morte De Um Bookmaker Chinês (1976): Cosmo Vitelli (Ben Gazzara) é proprietário de uma boate de strip-tease em Los Angeles. Ele fez uma alta dívida no jogo de pôquer, mas não tem dinheiro para quitá-la. Em troca, a Máfia exige que ele mate um bookmaker chinês para saldar a dívida.


17.09 - Uma Mulher Sob Influência (1974): Nick Longhetti (Peter Falk) está sobrecarregado, devido ao seu trabalho em um estaleiro. Sua esposa Mabel (Gena Rowlands) passa por uma fase difícil, vivendo em constante desequilíbrio emocional, o que a leva à depressão. Quando os filhos começam a serem afetados pelo estado de Mabel, Nick é obrigado a hospitalizá-la. Só que isto faz com que ele tenha também que assumir o controle de sua casa.


18.09 - Noite De Estréia (1977): Numa noite chuvosa, na saída dos bastidores, Myrtle (Rowlands), atriz e estrela do teatro, vê um retrato de quem ela foi numa jovem fã à procura de um autógrafo seu.Ela encara seu primeiro papel de mulher mais velha e a possibilidade de sucesso pode significar que Myrtle está envelhecendo, perdendo a beleza que sempre teve. Uma reflexão sobre o envelhecimento e sobre ser bela, Noite de Estréia também revela-se um filme fascinante sobre o palco e o teatro visto pelo cinema pessoal de Cassavetes.

22.7.11

“Morena/Loira - O Cabelo no Cinema”

Começa no próximo dia 25 de julho uma mostra de filmes inspirada na Mostra da Cinemateca Francesa em Paris "Brune/Blonde": uma exposição sobre o cabelo feminino no cinema. Organizada pelo Cineclube Natal em parceria com Nalva Melo Café Salão e pontuada por sete filmes cuidadosamente escolhidos por sua importância estética, a exposição tem como foco principal o cinema e suas atrizes míticas: morenas ou loiras – sem se esquecer das ruivas –, de cabelos longos ou curtos, com penteados que marcaram épocas.

Cabelos curtos ou longos, recatados ou sensuais. O cinema e seus cineastas engajados em uma forma de expressão do corpo: a representação da cabeleira feminina, que nesse caso está intimamente ligada ao desejo, à sexualidade, à paixão e ao amor. Como muito bem explicitado pelo coque em espiral usado por Kim Novak em Um corpo que cai (um dos filmes escolhidos) de Alfred Hitchcock, reproduzido mais de 30 anos depois por David Lynch em A Estrada Perdida.

A mostra colocará em foco o cinema clássico e o cinema independente, o cinema de ontem (com Charles Vidor e Alfred Hitchcock) e o cinema de hoje (com Patrice Leconte e Alejandro Amenábar). É possível conhecer mais sobre a historia do cinema e as representações dos cabelos femininos ao longo dos tempos, como por exemplo a evolução, no cinema hollywoodiano, da loira – relegada, até os anos 30 aos papéis de esposa fiel, antes de se tornar, na década seguinte, sinônimo de mulher sedutora.

Com uma grande profusão de imagens em movimento, a exposição também valoriza a influência do imaginário cinematográfico na sociedade. Os cineastas, grandes criadores de ícones, moldam as atrizes e inventam estilos que influenciam a moda de gerações inteiras. Os cabelos curtos nos anos 20 (Louise Brooks), os cabelos platinados dos anos 30 (Jean Harlow), as tinturas ruivas extravagantes dos anos 40 (Rita Hayworth), os cabelos longos e soltos dos anos 50 a la Brigitte Bardot, os cortes andróginos dos anos 60, a loirice soberana de Catherine Deneuve ou as provocações da cabeleira latina de Penélope Cruz.

Além de tudo isso, a exposição também aborda as interações conscientes e inconscientes que o cinema mantém com diversas outras artes na representação da beleza e dos mistérios femininos. O cinema conseguiu com grande perfeição explorar em seus máximos detalhes os movimentos dos cabelos das mulheres, como numerosos pintores, escultores e fotógrafos também imortalizaram em suas obras ao longo dos séculos. 


A seguir, uma lista com as sinopses dos filmes que serão exibidos entre os dias 25 e 31 de julho, sempre a partir das 20h, em Nalva Melo Café Salão:

Segunda-feira (25/07) - Diário de uma garota perdida (Tagebuch einer verlorenen): Thymian (Louise Brooks), é uma jovem e bela garota, que literalmente não vive um "conto de fadas". Sua governanta, Elizabeth, é despedida grávida, e logo depois encontrada morta por afogamento. No mesmo dia que soube da tragédia, seu pai contrata uma nova governanta, Meta. Meinert, um farmacêutico oportunista engravida Thymian. Quando ela recusa o casamento, o bebê é afastado e Thymian é colocada em um rígido reformatório para meninas. A partir destes fatos, sua vida se transforma num pesadelo sem fim, com muitas reviravoltas, entre garota de bordel a uma respeitada Condessa. Diário de uma Garota Perdida é o segundo e último trabalho de uma das melhores parcerias atriz/diretor já criadas no cinema: G. W. Pabst e Louise Brooks. Juntamente com A Caixa de Pandora (1928), Diário confirmou a genialidade de Pabst, como um dos maiores cineastas do período silencioso, e estabeleceu Brooks como uma atriz brilhante e de uma sensibilidade nunca vista até então.

Terça-feira (26/07) - Gilda : Rita Hayworth cantando, de maneira sensualíssima, a canção "Put the blame on Mame" (Ponha a Culpa na Mame) ao tirar suas luvas num quase "strip tease". Ninguém discorda que essa cena é uma das mais memoráveis da história do cinema e o momento chave do clássico "Gilda". Dirigido com inegável elegância pelo húngaro Charles Vidor (1900-1959), o filme foi produto da safra de grandes filmes "noir" da década de quarenta. Porém, é impossível negar que Vidor não seja o responsável pelo grande encanto da obra, pois "Gilda" deve todo seu frescor à iluminada presença da diva Rita Hayworth.


Quarta-feira (27/07) - Um corpo que cai (Vertigo): Considerado por muitos a maior realização do diretor Alfred Hitchcock. Em São Francisco, James Stewart interpreta um detetive com medo de altura, contratado para seguir a esposa de um amigo (Novak) com tendências suicidas. Após resgatá-la de uma queda, ele se torna obcecado pela bela e atormentada mulher. Um dos mais arrepiantes romances do cinema, apresenta uma fascinante miríade de inusitados ângulos de câmera de algumas das mais renomadas paisagens de São Francisco.


Quinta-feira (28/07) – O desprezo (Le mépris): O Desprezo conta a história da crise de um casal em uma viagem à Itália que acaba mal. Camille (Brigitte Bardot) tem a impressão de que seu marido não a ama mais. Paul Javal, seu marido, é um roteirista que, para garantir o conforto da esposa e evitar o rompimento da relação, aceita escrever uma nova adaptação da obra grega A Odisséia para o cinema. Primeiro, nascem a dúvida e o desprezo de Camille e depois vem a incompreensão e a raiva de Paul. Diferente do livro de Homero, não é Ulisses que vai embora e abandona a amada Penélope.


Sexta-feira (29/07) – O bebê de Rosemary (Rosemary´s baby): Adaptação do romance bestseller de Ira Levin, conta a história de um adorável casal novaiorquino que espera seu primeiro filho. Como a maioria das mulheres que são mães pela primeira vez, Rosemary (Mia Farrow) está confusa e receosa. Seu marido (John Cassavetes), um ambicioso mas malsucedido ator, faz um pacto com o demônio pela promessa de vencer na carreira. O diretor Roman Polanski consegue extraordinárias interpretações de todo o elenco de astros. Ruth Gordon ganhou um Oscar por seu papel, como uma super-solícita vizinha, neste clássico do suspense.


Sábado (30/07) – O marido da cabeleireira (Le mari de la coiffeuse): Antoine (Jean Rochefort) é um homem de meia-idade, com alma de criança e obsessão desde a infância por cabeleireiras. Certo dia encontra a mulher de seus sonhos, a maravilhosa Mathilde (Anna Galiena). O filme tem toques de drama, comédia e poesia, com refinado erotismo. Lembranças da infância, a descoberta da sexualidade, o amor, a velhice e a morte. Essa é a linha da vida e de temas abordados com lirismo e lubricidade no filme de Patrice Leconte. Com uma estética que lembra os países árabes colonizados pelos franceses, no norte da África, Leconte conta uma história fantástica e sedutora. A fluidez e o ritmo da narrativa também são responsáveis pelo fascínio causado pelo filme. Fugindo ao estilo hermético comum na cinematografia francesa, o filme apresenta humor refinado, mas ao mesmo tempo fala de questões relevantes em relação ao amor, ao medo de envelhecer e à morte, sem perder de vista o devaneio e a frugalidade. Para quem acredita que o cinema europeu é feito apenas de choro e angústia, O Marido da Cabeleireira é a prova cabal de sua imensa diversidade.


Domingo (31/07) – Abra os olhos (Abra los Ojos): César (Eduardo Noriega) tinha tudo a seu favor - encantador, rico e incrivelmente belo. Mas, por vezes, as aparências iludem. Na noite do seu 25º aniversário, César conhece Sofia (Penélope Cruz), e pela primeira vez pensa ter encontrado a mulher ideal. Mas depois de deixar Sofia, César é abordado por Nuria (Najwa Nimri), a namorada que abandonou na véspera. Perturbada pela forma como fora tratada, Nuria lhe pede outra oportunidade, implorando que a deixe entrar no carro. Um erro que lhe vai ser fatal, já que com a fúria dos ciúmes, Nuria atira o carro para fora da estrada, matando-se e desfigurando o antes lindíssimo César. Depois do acidente, fantasia e realidade começam a se misturar. César acorda numa prisão psiquiátrica, onde é julgado por uma morte de que não se lembra. Se ele se lembra de terem tratado de seu rosto, porque razão ainda usa uma máscara? Se Nuria morreu no acidente, como é que voltou a ter vida? Se Sofia era o seu verdadeiro amor, porque é que a matou? César vive um sonho ou será que ficou louco?