9.4.08

Cineclube Natal - MANIFESTO "A SALA ESTAVA ESCURA, MAS NOTAMOS A SUA FALTA!"


MANIFESTO


(clique para ampliar)


A sala estava escura, mas notamos a sua falta!

A magia da sala escura tem início bem antes do apagar das luzes. Na realidade, começa com a compra criteriosa das "baganas", a escolha do lugar mais estratégico e que ofereça um ângulo perfeito de visão, a procura da posição mais confortável na poltrona. Quem curte cinema sabe muito bem o quanto esse ritual é gostoso.

Mas existe uma coisa mais gostosa do que isso: observar a platéia deslumbrada e envolvida com as nuances de cada trama, com as peripécias de cada personagem, com a atuação da estrela preferida. Um prazer que o Cineclube Natal faz questão de proporcionar ao público desde maio de 2005.

Mas o questionamento que nós fazemos hoje é o seguinte: onde está o público do Cineclube? Afinal, nós sabemos que ele existe. Estaria subjugado ao controle da TV? Possuído por uma preguiça tão descomunal, a ponto de não poder se locomover até a sessão mais próxima? Ocupado com uma agenda interminável de compromissos sociais? Preso aos grandes atrativos das salas de cinema dos Shoppings Centers?

Diante dessa inexplicável fuga de espectadores, de todas as sessões, não restou ao Cineclube outra alternativa a não ser REDUZIR o número de sessões. Por isso, a partir do mês de abril a programação cai de sete para quatro exibições mensais, se mantendo apenas uma de cada projeto de exibição: “Cine Vanguarda”, no Teatro de Cultura Popular ‘Chico Daniel’; “Cine Café”, no Nalva Melo Café Salão; “Cine Assembléia”, na Assembléia Legislativa; e “Cine Curumim”, a nova sessão de cinema infanto-juvenil, em parceria com o SESC/RN, no Cine SESC, da avenida Rio Branco.

Mais do que um esclarecimento, este manifesto também é um grito de alerta, um desabafo provocativo. Uma forma de dizer: "A sua cidade tem opções culturais, sim. Programas baratos, gratuitos e de qualidade. Talvez o que falte em você é coragem de levantar desse sofá, meu amigo".

Portanto, que fique bem claro: o Cineclube não é só entretenimento. Você que quer somente ver o filme, será muito bem-vindo. Mas o espaço é também de interação, socialização e debate. Aonde o contemporâneo e o clássico se complementam, a paixão pelo cinema e o trabalho voluntário se encontram, a troca de idéias e visões de mundo sem intelectualismo exagerado, convivem lado a lado.

Portanto, SUA AUSÊNCIA é o único motivo de estarmos reduzindo o número de sessões, indo, a contragosto, no sentido oposto ao desenvolvimento cultural. Nossas atividades só têm sentido se VOCÊ estiver presente. Caso contrário, seremos obrigados a encerrar nossas atividades. E você, meu amigo, continuará fazendo parte da legião de espectadores acostumados a repetir aquele velho e gasto discurso: "Não há nada de bom para ver nesta cidade”.

Cineclube Natal, 08.04.08

6 comentários:

Anônimo disse...

Hi,

I just arrived in Natal 2 months ago to live here with my wife and kids (She was born and raised here).
I took an internet account as soon as I could to be able to find easily "interesting" things to do in Natal.
I was very pleased to discover their is in Natal a cineclub. I used to go often in Belgium (and not your mainstream Hollywood dish, if you see what I mean)
Our kids are still quite young (the youngest just completed 7 months), so it's not always easy to get their since we still don't have our own car.
Anyway, I was sad to read your Manifesto yesterday, because a good initiative like yours deserves a better response than it seems to get.
I wish to support you and I hope I will be able in the near future to assist to one of the movies. Succes! abraço!
Samuël

RamonPapão disse...

eu num sei se é por aí ñ, dizer q a galera precisa sair do sofá e ver filme. acho q antes de tudo, vcs deveriam ver se tem público para os filmes do cineclub. se ñ, vcs devem trazer filmes mais acessiveis para ir desenvolvendo o senso crítico e estético do pessoal aos poucos. vamos ser sinceros... o que tem de gnt com um computador bom pra baixar filmes, há dvds piratas em tudo q é esquina, cinema, tv por assinatura, tudo isso são bons motivos pra ser ver um bom filme em casa. o público de vcs é um público com condições financeiras, que tem todos essas mordomias em casa, eles ñ precisam ir bater numn cineclub da vida pra assistir filme. e o debate, pô... parece uma coisa hermética, um querendo falar mais complicado do que o outro, mas sei q é dado espaço para todos, o que falta é uma maneira de deixar as pessoas mais a vontade para opinarem. se tivessem alguém q estigasse a galera para todos participarem, uma cerveja depois do filme, algo nesse tipo. num sei, mas não é fazendo com que sintamos pena do cineclub ou dizendo q somos acomodados q vcs vão conseguir mais gente nas sessões. é isso. vlw.

Pedro Fiuza disse...

Hi Samuel,
Thanks for your support! I really hope we can get trought this and keep on showing and chatting about movies. I also wish I could see you soon at one of our sessions. It would be great! Thanks again!

Pedro Fiuza disse...

Oi Ramon,

Antes de tudo, gostaria de agradecer a sua crítica.
Nós - e estou sendo sincero - adoramos receber comentários (positivos ou negativos) sobre o nosso trabalho. Isso gera o debate, que é justamente um dos pilares do cineclubismo.

Seu contato conosco significa também que o Manifesto já deu algum resultado, mesmo que você tenha sido instigado a rebater o nosso tom provocativo. Mas acredite, há três anos estamos fazendo esse tipo de atividade e há cerca de 6 meses estamos cansados de não termos o retorno suficiente para nos manter motivados - que no caso é a frequência de público. Nesse sentido, acho que até demoramos um pouco para sermos provocadores, pois achávamos que o problema sempre estava em nós, assim como você acha.

Pois bem, realmente nós temos defeitos - como qualquer proposta cultural pública. Mas permita-me discordar de você em alguns pontos:

Existe público sim, ainda que pequeno.
Como eu disse, nós existimos há 3 anos e sabemos que existe sim um público que quer mais do que os circuitos comerciais de Natal podem oferecer. Nós experimentamos sessões lotadas ou razoavelmente cheias, então sabemos que um dia existiu público. Por isso nosso questionamento não é "será que tem?" mas "aonde está?". E nós não estamos querendo muita coisa não: 25 pessoas - 10% da lista de 250 que assinam nossa lista de discussão - já seria o suficiente para fazer valer o nosso trabalho. Mas não é que nós só queremos 25. Se der uma multidão, ótimo. Mas nós somos realistas - e não elitistas, como insistem alguns - e sabemos que não existe tanta gente interessada em ir nessa 'coisa estranha' que é uma sessão cineclubista. Mas ainda assim, existem público.

Cineclube não é só filme, então nós não tentamos concorrer com os downloads de filmes (nem com as locadoras, nem com os circuitos comerciais, nem com tv's por assinaturas, nem com os piratas de esquina...)
É justamente pela natureza da nossa atividade que nós somos realistas em saber que nem todo mundo está afim de ir pra uma sessão ver o filme coletivamente, pensar e conversar sobre o que viu. É legítimo você querer ver filme do cinema, da locadora, do pirata, da tv ou da internet. Mas cada um é uma forma diferente de ver filme não é? Um tem ênfase em uma característica que não é o forte do outro. Pois as nossa característica maior é a socialização do que foi visto. Coisa que pode inclusive ser feita de outras formas, como por exemplo, a criação de um blog. Mas vamos ser sinceros: quantas pessoas, no conforto da sua casa baixam filmes, vêem e externam sua opinião num blog? Eu conheço 10:

1. http://dadecada.wordpress.com/
2. http://cinefilapornatureza.blogspot.com/
3. http://cinemaforadoeixo.wordpress.com/
4. http://www.fatorh.blogspot.com/
5. http://balaiovermelho.blogspot.com/
6. http://www.canalhismo.blogspot.com/
7. http://www.lauravive.blogspot.com/
8. http://www.substantivoplural.com.br/
9. http://www.dnonline.com.br/int_colunas_interna_sergio.php
10. http://www.disruptores.com.br/?cat=2

Só que todas elas já foram há pelo menos uma sessão do Cineclube, então, nem contam como argumento para a inutilidade de um cineclube. E são 10 numa cidade de 800 mil habitantes!
Por isso não vejo que nós sejamos uma concorrência a esses tipos de ver cinema (que repito: são legítimos). Nos vejo como uma proposta diferente. Mas será que, de 800.000, tirando o povo que prefere cinema no cinema, o que prefere na tv, na internet e no pirata, só sobram 5 pessoas para freqüentarem as nossas sessões (a média estimada de Março)? Se sim, isso é, no mínimo, uma estatística muito curiosa.

Acessível é um termo que depende do ponto de vista
Você disse que nós temos que passar filmes mais acessíveis, mas essa, assim como 'de arte' e 'alternativo', ao meu ver, é uma classificação abstrata e subjetiva demais. Contudo, nós temos uma sessão justamente com esse fim: O Cine Asembléia que, desde 2005 tem o objetivo de formação de platéia (justamente também desenvolvendo o senso crítico e estético), exibindo filmes para toda comunidade mas sempre convidando uma escola a participar. Dessa forma, exibimos alguns filmes que pra nós - como eu e você - podem ser óbvios, mas que pra outros são o despertar de outras formas de cinema (outros gêneros, outras nacionalidades, etc...). Só para você ter uma idéia do que foi exibido, listo os títulos a seguir:

* Cinema Paradiso
* Terra de Sonhos
* Dersu Uzala
* Jules e Jim
* Dois Perdidos Numa Noite Suja
* O Fabuloso Destino de Amelie Poulain
* O Filho da Noiva
* O Sol é Para Todos
* Vlado – 30 Anos Depois
* Abril Despedaçado
* Cidadão Kane
* As Bicicletas de Belleville
* As Amigas
* Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera
* Kiriku e a Feiticeira
* Ladrões de Bicicleta

E além do Cine Assembléia, estaremos em Maio estreando uma outra sessão: o Cine Curumim, com o mesmo objetivo, voltado para um público infanto-juvenil, passando títulos como "A Viagem de Chihiro", "Kiriku e a Feiticeira", "Corcel Negro, "Feitiço de Áquila", entre outros. O projeto também será aberto a toda comunidade.

Então, nós pretendemos ser acessíveis o tempo todo. Aliás, isso está enraizado em nossa essência, uma vez que, ao invés de estarmos vendo o filmes em casa com os amigos, nós lutamos a fim de poder exibir os filmes para um público maior, para que aqueles filmes que às vezes só são vistos no particular, fosse para a "rua", para o público, para o social. Porém, realmente a acessibilidade pode ser algo questionável. Mas eu quis te dar um retorno justamente para dizer que o que você nós sugere, nós já fazemos desde o começo, ao nosso modo de ver.

Ainda aproveito, para dentro desse tópico falar sobre o público que não tem acesso. É freqüente nós ouvirmos essa sugestão que nós concordamos 100%. Mas que infelizmente não temos logística nem patrocínio para por em prática. Nós, até por experiência própria - através do projeto Cinema Livre, realizado em 2006 pela UFRN, levando cinema à 6 localidade do RN - sabemos que é um trabalho que depende de pessoal, tempo, dinheiro e logística que não dispomos.


O debate pode parecer, mas não é hermético
Eu reconheço que existem técnicas para se instigar um público. Infelizmente nenhum de nós tem uma vivência mais aproximada com elas para que possamos utilizá-las. Então, nós fazemos o mais simples, dizemos que vamos conversar e abrimos jogando algumas informações. Até por intuição eu particularmente já tentei fazer fazer coisas do tipo. Me lembro de uma sessão do Cine Assembléia que exibimos "As Amigas" de Antonioni e que eu abri o debate perguntando "quem não entendeu o filme levanta a mão", e uma grande parte do público, sobretudo do colégio convidado, quis escutar e falar o porque de não entender. Nós tentamos deixar as pessoas o mais à vontade possível, trocando também o termo 'debate' por 'conversa' - como se a culpa não fosse da cultura que dá para o termo 'debate', um sentido pejorativo, chato. Então acho que vai da cultura de cada um achar se o debate é chato ou não. Mas ainda uso da mesma premissa do público: se estivéssemos tão errados assim, não ficaria uma viva alma pra discutir, o que sabemos que não é verdade - nossa última sessão, domingo 13, agora, tivemos 20 pessoas (de 60) que ficaram para um dos debates mais longos de nossa história: 2 horas e meia.

Sobre a cervejinha, infelizmente não dá pra tomar ao final de todas as sessões, mas em compensação dá pra tomar durante todo o filme (e antes e depois) das exibições no Cine Café (Nalva Melo Café Salão), pois eles servem cerveja, café, cachaça, além de tapioca. Até os fumantes são contemplados devido à sala não ser totalmente lacrada. E é importante ressaltar que o público dispõe de mesas e cadeiras pra ficar à vontade como num café.

O filme não é só um detalhe
Vou até voltar um pouco no segundo e talvez ser redundante no que falei de que o Cineclube não era só o filme, mas também o debate, a socialização do ver e conversar cinema. Mas isso de forma alguma torna o filme só um detalhe. Pois se assim fosse, não ficaríamos preocupados em quais títulos programar, já que o povo iria pelo evento social que é a sessão. Eu já mencionei que é possível bater um papo e lanchar nas sessões que temos. Mas se o público só estiver interessado em fazer isso, então a culpa é nossa de oferecer um atividade com um filme e um debate? Eu creio que não.

Pra finalizar,
nós não estamos impondo nada, não estamos querendo que sintamo pena de nós. Nós estamos explicando quais são as diferenças da nossa atividade para ver um filme no sofá de casa, mas comunicando que se mesmo assim todo mundo quiser ficar com o sofá, nós estaremos encerrando as atividades pois não faz sentido oferecer algo que as pessoas não querem. É uma análise, fria, mas que é facilmente entendida, achamos.

Bom, mas como eu te respondi, gostaria que você pudesse me responder o que te faz não ir ao Cineclube?
Vamos conversar para sermos produtivos, pois afinal, o Manifesto não significa que encerramos as discussões com público. Eu vejo inclusive como um (re)início.

um abraço,
Pedro Fiuza
Cineclube Natal

Anônimo disse...

dia 13 estarei la! :D

Fábio Henrique Carmo disse...

Olha, eu tenho um blog. Segue o link abaixo:

www.cinemacompimenta.blogspot.com

Mais tarde, postarei minhas opiniões aqui, pois agora estou sem tempo.